A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e o Comando Nacional dos Bancários entregaram, nesta quarta-feira (1º), a pauta de reivindicações específicas dos trabalhadores à direção do banco. O documento reúne uma série de propostas voltadas à preservação dos empregos, melhoria das condições de trabalho, saúde, diversidade, segurança, remuneração e acompanhamento das reestruturações em curso na instituição.
Durante a reunião, o movimento sindical destacou que o Itaú atravessa um amplo processo de reestruturação, com impactos diretos sobre a vida dos bancários, e reforçou a necessidade de que o banco valorize o processo negocial e dialogue com os representantes dos trabalhadores sobre as mudanças.
A coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, ressaltou que a pauta foi construída para responder aos principais desafios enfrentados pelos empregados. "O Itaú vive um momento de profundas transformações, que têm impactado diretamente a rotina e a vida dos trabalhadores. Nossa pauta busca minimizar esses efeitos, preservar os empregos, garantir condições dignas de trabalho e fortalecer o diálogo com o banco. Esperamos que o processo negocial seja valorizado e que as reivindicações dos bancários sejam tratadas com a seriedade que merecem."
Conforme o represente do Rio Grande do Sul na COE Itaú, Eduardo Munhoz, o documento foi construído de forma coletiva. "Entregamos uma minuta que foi construída através dos fóruns de debate da categoria, e que reflete as demandas dos bancarios do Itaú. Agora nós esperamos que seja possível avançarmos nas negociações nos próximos calendários da mesa da COE Itaú," salientou.
Entre os principais pontos da pauta estão o fim do fechamento de agências; valorização dos trabalhadores nos processos de realocação, com garantia de emprego; criação de uma mesa permanente sobre diversidade; acolhimento aos trabalhadores adoecidos; fim das convocações para exames médicos que desconsiderem os laudos dos médicos assistentes; combate ao assédio moral; participação dos trabalhadores na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1); reforço da segurança nas agências; manutenção dos benefícios durante afastamentos por saúde; transparência na utilização de ferramentas de monitoramento baseadas em inteligência artificial e debate sobre a implementação da IA nos processos de trabalho.
A pauta também reivindica melhorias no banco de horas; transparência na reestruturação dos modelos Uniclass e Phygital; plano de saúde para aposentados; estabelecimento de teto para a coparticipação dos empregados admitidos a partir de 2015; reajuste dos valores de reembolso para consultas e procedimentos médicos, além da ampliação da rede credenciada.
Outras reivindicações incluem a readequação das metas no retorno da licença-maternidade; redução da jornada para empregados com filhos com deficiência; manutenção dos debates sobre programas de remuneração variável no Grupo de Trabalho; valorização das bolsas de estudo e dos subsídios para cursos de idiomas e certificações profissionais; criação de um plano de previdência para todos os trabalhadores; e melhoria no reembolso de combustível para empregados que realizam visitas a clientes.
“Esperamos que, com esta pauta, consigamos conquistar um ambiente mais saudável para os trabalhadores e convidamos todos os bancários e bancárias e vir conosco nesta luta construindo uma mobilização nacional”, completou Valeska.
Banco apresenta projeto para atendimento a aposentados
Durante a reunião, o Itaú apresentou um projeto-piloto voltado ao atendimento de clientes aposentados, que será implantado inicialmente nos estados de São Paulo e Paraná.
Segundo o banco, as unidades participantes passarão por adequações de layout, mas os empregados permanecerão nos mesmos cargos. As metas serão ajustadas de acordo com os produtos específicos do segmento, e os trabalhadores receberão treinamento para atuar no novo modelo de atendimento.
O banco informou ainda que estuda a possibilidade de abertura de novas agências, contratação de funcionários e manutenção de caixas de atendimento, conforme a necessidade identificada em análises específicas. Também assumiu o compromisso de apresentar previamente à COE as mudanças previstas, além de compartilhar informações sobre tempo de filas e os impactos da reorganização nas demais unidades.
Home office segue como ponto de divergência
Outro tema debatido foi a mudança no regime de trabalho híbrido prevista para 2027 e 2028. O Itaú reafirmou que manterá a decisão de ampliar a presença dos empregados nos escritórios, alegando que a medida busca reduzir os impactos do trabalho remoto na integração das equipes, na dinâmica de trabalho e no desenvolvimento profissional.
A representação dos trabalhadores reiterou sua posição contrária à mudança, defendendo a manutenção do modelo atual. A COE destacou que o trabalho remoto tem contribuído para a qualidade de vida dos empregados, especialmente diante dos longos deslocamentos nos grandes centros urbanos, sem prejuízo à produtividade.
O movimento sindical também solicitou que o banco realize uma pesquisa para ouvir a opinião dos trabalhadores sobre o novo modelo, proposta que foi rejeitada pela direção da empresa. Diante da negativa, a COE informou que fará seu próprio levantamento para subsidiar as próximas negociações.
Além disso, os representantes dos trabalhadores cobraram a manutenção da ajuda de custo prevista no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para quem atua em regime híbrido. O Itaú informou que cerca de 2 mil empregados atualmente em regime de trabalho totalmente remoto (full remote) permanecerão nessa modalidade.
Fonte: Contraf-CUT