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Saúde | 13/05/2026
Comissão de Saúde do Banrisul debate adoecimento mental, metas e cuidado familiar

Reunião de maio discutiu o crescimento do número de afastamentos por doenças psicológicas e a necessidade de medidas mais humanizadas no Banco.

Em reunião virtual, no dia 6 de maio, a Comissão de Saúde do Banrisul discutiu o avanço dos casos de adoecimento mental entre os trabalhadores, as dificuldades enfrentadas por bancários afastados e a necessidade de aprimorar políticas de acolhimento e cuidado.  

Ao abrir o debate, a diretora de Saúde da Fetrafi-RS, Raquel Gil de Oliveira, alertou para o crescimento dos casos de sofrimento psíquico relacionados ao ambiente de trabalho, à pressão por metas e ao assédio, que representam 40% das denúncias recebidas pelo Movimento Sindical. "O trabalho não pode ser motor do adoecimento. Qualquer doença gerada, desencadeada ou agravada pelas relações de trabalho precisa ser reconhecida", afirmou a sindicalista.

Pressão por metas e insegurança adoecem trabalhadores

Representantes sindicais relataram que a cobrança constante por resultados, somada às mudanças frequentes de foco comercial dentro das agências, tem ampliado a insegurança e o desgaste emocional dos trabalhadores.

Ana Betim, diretora da Fetrafi-RS, lembrou que, atualmente, é muito comum os bancários recorrerem ao uso contínuo de medicação para conseguir manter a rotina de trabalho e atender às metas exigidas. "Não somos contra as vendas. O que defendemos é organização, metas claras e uma forma adequada de cobrança", ressaltou. 

Representantes do Banrisul reconheceram a preocupação com o tema e informaram que ações ligadas à saúde mental vêm sendo desenvolvidas internamente, incluindo workshops sobre assédio e gestão, programas de qualidade de vida e iniciativas relacionadas à implementação das atualizações da NR-1 dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Trabalho não pode gerar sofrimento

Ao comentar a fala da representante do banco sobre a existência de históricos psiquiátricos anteriores ao ingresso no Banrisul, a diretora de Saúde da Fetrafi-RS, Raquel Gil de Oliveira rebateu com veemência: "Doença do trabalho é qualquer uma que seja gerada, desencadeada ou agravada pelas relações de trabalho. Então, se houve agravamento, o trabalho teve peso nisso — e isso não pode acontecer. Não pode haver uma gota sequer de trabalho no adoecimento", disse. 

Ela criticou a lógica que naturaliza o adoecimento em nome da produtividade. Para a dirigente sindical, o sistema atual de perícias e reconhecimento de nexo causal acaba protegendo os empregadores e dificultando o acesso dos trabalhadores aos seus direitos, especialmente nos casos de saúde mental. "Muitos afastamentos sequer resultam em emissão de CAT, o que gera uma subnotificação dos casos e mascara a realidade", ressaltou. 

Grupos de Caminhada

Representantes sindicais solicitaram a retomada dos Grupos de Qualidade de Vida no interior, suspensos durante a pandemia, ressaltando a importância dessas atividades para a promoção da saúde dos(as) trabalhadores(as). Em resposta, a área de saúde do Banrisul informou que os grupos presenciais seguem sendo realizados em Porto Alegre, onde há maior número de participantes, enquanto no interior o acompanhamento ocorre de forma remota, com orientação por planilhas. O Banco acrescentou que, caso haja demanda significativa, poderá avaliar a retomada dos encontros presenciais nas demais regiões.

Também defenderam a participação das lideranças sindicais em workshops sobre assédio e gestão promovidos nas regionais e agências, como forma de ampliar o diálogo com os trabalhadores e evitar ruídos na comunicação. A orientação recebida foi para que o pedido seja encaminhado formalmente à área responsável pelos treinamentos, vinculada à  Universidade Corporativa Banrisul (UCB).

Licença para acompanhamento familiar

Outro tema que mobilizou a reunião foi a dificuldade enfrentada por trabalhadores(as) que precisam se afastar para acompanhar familiares em situações graves de saúde.

Houve relatos de banrisulenses que tiveram atestados recusados por gestores, mesmo diante de situações extremas, como internação de filhos em UTI e tentativas de suicídio de familiares. Em alguns casos trabalhadores foram orientados a utilizar férias ou banco de horas em vez de terem o afastamento reconhecido. 

Na avaliação do Movimento Sindical, falta uma regulamentação clara e humanizada sobre a licença para acompanhamento familiar, além de orientações padronizadas para gestores. 

Representantes do Banco reconheceram a sensibilidade do tema e informaram que já existem normativas para alguns casos específicos de licença especial de saúde familiar, mas admitiram que há interpretações diferentes por parte das gestões locais. Também houve concordância sobre a necessidade de ampliar orientações internas e melhorar a comunicação acerca dos procedimentos a serem seguidos. 

Adiantamento emergencial e retorno ao trabalho

A Comissão também debateu problemas relacionados ao adiantamento emergencial para trabalhadores afastados pelo INSS, a partir da crítica do Movimento Sindical de que falta informação clara sobre os prazos para solicitar o benefício. "Hoje, muitos colegas acabam perdendo o prazo por desconhecimento das regras. O ideal seria automatizar os avisos", enfatizou a diretora de Saúde da Fetrafi-RS..

Outro ponto levantado foi a dificuldade enfrentada por trabalhadores do interior obrigados a se deslocarem até Porto Alegre para avaliações presenciais de retorno ao trabalho, mesmo em condições fragilizadas de saúde.

PCD e reconhecimento de fibromialgia

Dificuldades no reconhecimento de Pessoas com Deficiência (PCD), incluindo casos relacionados à fibromialgia, foi outro tema que entrou no debate.

Segundo o banco, os enquadramentos seguem critérios técnicos e exigências do Ministério do Trabalho, com análise individualizada e necessidade de documentação complementar. A instituição informou ainda que novas orientações internas sobre diversidade e PCD devem ser divulgadas para esclarecer os procedimentos adotados. 

Pesquisa Nacional

A expectativa do Movimento Sindical é de que a pesquisa da Campanha Nacional dos Bancários (link para pesquisa) deverá trazer um diagnóstico mais preciso sobre a saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras do ramo financeiro, incluindo questões relacionadas ao uso de medicamentos e às condições de trabalho. Por isso é tão importante a participação do maior número possível de bancários(as), para que seja possível identificar os principais problemas e construir ações conjuntas de enfrentamento. 

A próxima reunião da Comissão de Saúde do Banrisul ficou pré-agendada para o dia 02 de junho.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação da Fetrafi-RS

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