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#SANTANDER | 11/07/2025
Mesmo com lucros em alta, Santander precariza relações de trabalho e amplia terceirização

Encontro Estadual debateu ataques aos direitos e apontou caminhos para fortalecer a mobilização da categoria.

Na última quarta-feira, 9 de julho, o SindBancários e a FETRAFI-RS realizaram o Encontro Estadual do Santander, como parte da programação da 27ª Conferência Estadual dos Bancários. O evento virtual reuniu trabalhadores do banco para discutir os impactos do modelo adotado pelo Santander no Brasil, marcado por demissões, fechamento de agências, terceirização de atividades-fim e contratações fora da categoria bancária.

Apesar de ostentar lucros bilionários, o banco promove uma política agressiva de retirada de direitos, desmonte da convenção coletiva e precarização das condições de trabalho. Os dados apresentados pelo técnico do DIEESE, Alisson Droppa, escancaram a contradição: crescimento financeiro e retrocesso nas relações trabalhistas.

Lucros em alta, empregos em baixa

No primeiro trimestre de 2025, o Santander Brasil registrou lucro líquido de R$ 4,4 bilhões, um aumento de 27,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio (ROE) chegou a 17,4%, superando as projeções do mercado. Mesmo com juros elevados e o aumento do endividamento das famílias, o banco manteve margens saudáveis e o menor índice de eficiência operacional entre os bancos privados.

Mas esse desempenho não se traduz em valorização da força de trabalho. Pelo contrário: foram cortados 343 postos de trabalho em apenas três meses, e 677 pontos de atendimento foram fechados entre 2019 e 2024.

Terceirização disfarçada enfraquece direitos

Desde 2019, o Santander criou ou adquiriu 30 novas empresas controladas ou coligadas, nenhuma com CNAEs ligados à atividade bancária. Muitas atuam em áreas como cobrança, seguros e tecnologia, com contratações fora da convenção coletiva dos bancários, o que significa menos direitos, salários mais baixos e maior exploração.

A diretora do SindBancários, Natalina Gue, alertou para a ofensiva do banco também sobre os dirigentes sindicais. “Para que a nossa luta seja eficaz, o banco precisa sentir no bolso. Hoje vemos uma tentativa clara de dizimar nossos dirigentes, desrespeitando a estabilidade. Eles demitem e tentam forçar acordos que anulam ações judiciais. Precisamos lutar por uma indenização compensatória digna e denunciar essas práticas publicamente”, afirmou Natalina.

O diretor de Comunicação da FETRAFI-RS, Juberlei Bacelo, também destacou que a precarização é parte de um projeto mais amplo de destruição dos direitos trabalhistas no Brasil. “O emprego com carteira assinada está sendo atacado. Tentam convencer a juventude de que é melhor viver sem proteção, sem direitos. Isso enfraquece a categoria e serve aos interesses do capital”, explicou Bacelo.

Durante o encontro, uma funcionária da Pulse, uma das inúmeras terceirizadas que integram o modelo de contratação fraudulenta do Santander, também deu seu depoimento. Ela relatou que, embora contratada formalmente fora da categoria bancária, é obrigada a realizar as mesmas tarefas que bancários: vendas de empréstimos, seguros, cartões e demais produtos financeiros, com metas abusivas e intensa pressão por desempenho. Segundo ela, os trabalhadores dessas empresas sofrem cobranças rigorosas e repetidas, sem a proteção e os direitos garantidos pela convenção coletiva dos bancários.

Lucro fora da convenção e concentração de ganhos

O Santander lucra em cima da exploração da força de trabalho das suas controladas. De 2019 a 2024, o lucro das empresas controladas e coligadas aumentou 78,6%, revelando uma estratégia clara de transferir resultados para fora da estrutura onde vigem as regras da convenção dos bancários. Essa manobra evidencia que o banco privilegia a concentração de lucros ao custo da precarização das relações de trabalho.

Nesse cenário, o Brasil se tornou um dos países mais lucrativos para o Santander, representando cerca de 20% do lucro global do banco, atrás apenas da Espanha, sua matriz. Entretanto, o que se vê são medidas de retirada de direitos, precarização e o enfraquecimento da organização sindical.

Outro ponto que foi debatido são os ataques recorrentes do banco espanhol na tentativa de retirar o patrocínio do Banesprev, fundo de pensão que complementa as aposentadorias e pensões de colegas oriundos do Banespa e do Meridional, muitos deles idosos e vulneráveis, que merecem respeito e uma vida com dignidade.

O diretor do SindBancários e representante da FETRAFI-RS na Comissão de Organização dos Empregados do Santander, Luiz Cassemiro, comentou que é lamentável como o Santander tem tratado seus trabalhadores no Brasil. “O Santander tem fechado agências, abandonando comunidades e jogando seus clientes para os canais digitais, muitas vezes sem o suporte necessário. Essa estratégia de fechamento tem gerado sobrecarga de trabalho, levando muitos colegas ao adoecimento por conta da exaustão e da pressão pela entrega de metas abusivas, lembrou Cassemiro. 

A fala do diretor reflete a indignação de uma categoria que vê o banco explorar ao máximo o mercado brasileiro, sem oferecer contrapartida social. A prática de terceirizar, desrespeitar acordos coletivos e atacar a representação sindical não é acidental, é parte de um projeto de ampliação de lucros a qualquer custo.“É inaceitável que uma multinacional do porte do Santander coloque o lucro acima da dignidade. A terceirização serve para reduzir salários, enfraquecer a representação sindical e concentrar ainda mais os ganhos. Nossa luta é por valorização e respeito de todos os trabalhadores do grupo Santander. O Santander precisa respeitar seus trabalhadores, seus clientes e o Brasil”, concluiu Cassemiro.

Mobilização é a resposta

O Encontro Estadual também foi um espaço para definir propostas e alinhar estratégias para o Encontro Nacional do Santander, com o objetivo de construir uma pauta nacional sólida, que represente as demandas da base e enfrente o processo de desmonte em curso.

O SindBancários e a Fetrafi-RS reforçam o chamado à unidade e à mobilização. É preciso resistir coletivamente aos ataques do banco, defender os direitos da categoria e exigir responsabilidade social de uma instituição que lucra bilhões no país.


Fonte: SindBancários Poa e Região

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