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#BANRISUL | 18/03/2024
O papel dos bancos públicos no desenvolvimento industrial do RS é tema de debate em Novo Hamburgo

Cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre sedia primeiro encontro para discutir o futuro do Banrisul, BRDE e Badesul. Próxima reunião acontece em Pelotas, no dia 8 de abril.

Sindicalistas, políticos e representantes da sociedade gaúcha reuniram-se, na última sexta-feira (15/03), na Câmara Municipal de Novo Hamburgo, para discutir o modelo de banco público que os gaúchos querem. O evento foi promovido pelo Fórum "O Banrisul que Queremos", da Assembleia Legislativa do RS, com o apoio da Fetrafi-RS e do movimento sindical. 

O deputado estadual Miguel Rossetto (PT), coordenador do Fórum, iniciou o debate falando sobre a responsabilidade do poder Legislativo estadual em relação ao futuro dos bancos públicos. "A Assembleia Legislativa vota, delibera sobre a estratégia de desenvolvimento do Banrisul, do BNDE e do Badesul. Queremos, portanto, com esse ciclo de encontros escutar os trabalhadores e as comunidades, colaborarmos com o fortalecimento dessas instituições públicas. A voz daqueles que produzem é muito importante para nós", enfatizou.

Ele agradeceu a presença dos representantes dos três bancos e do movimento sindical, e reafirmou que o propósito do Fórum é criar um ambiente de colaboração e de cooperação para o fortalecimento dessas instituições, visando o desenvolvimento do estado do Rio Grande do Sul. E ao citar a visita do presidente Lula ao RS na sexta (15/03), lembrou que o País vive hoje um grande desafio de crescimento e desenvolvimento. "Em janeiro, o governo federal aprovou as diretrizes do que ele chama de nova política industrial para o Brasil. Com isso, a agenda industrial volta com força e nós temos a quarta indústria de transformação do País. Além disso, temos o privilégio de ser o único estado que dispõe de três instituições financeiras públicas, cada uma com seu papel específico e que se completam", disse.

Indústria no RS

Após a fala de abertura do deputado, o economista do Dieese, Alisson Droppa, apresentou um breve estudo sobre a participação da indústria no PIB do Rio Grande do Sul. Segundo o levantamento, entre 2011 e 2023 a participação do setor no PIB-RS encolheu -3,9%. "Ainda assim, a indústria no RS é fundamental para a economia do estado, pois representa 23% do PIB e gera mais empregos que os demais setores", avaliou. Droppa usou como exemplo o agronegócio, que cresceu 23% em 2023 e gerou 35 mil postos de trabalho, enquanto a indústria teve uma queda de -4,5% e ampliou o número de empregos em 286 mil. A indústria também é responsável por 27% dos empregos formais, com diferenciais positivos em relação aos outros setores como: melhores remunerações; garantias sociais (férias, seguro-desemprego, previdência social); e maior igualdade de gênero. 

O estudo mostra ainda os municípios com maior Valor Adicionado Bruto (VAB) da indústria, assim como a participação percentual de cada um no VAB do RS. Caxias lidera o ranking, com 7,4%, seguida por Canoas (7%) e Porto Alegre (6,2%). Novo Hamburgo, onde se concentra o polo calcadista do estado, está em 10º lugar, com 2% de participação no VAB da indústria do Rio Grande do Sul. De acordo com o economista, o crescimento econômico industrial acaba influenciando na distribuição da população no estado. "Segundo o último censo do IBGE, as cidades e as regiões que continuaram ampliando a sua população são exatamente aquelas onde o PIB industrial cresceu", observou Droppa. 

O economista pontuou a importância dos bancos públicos para ampliar o setor industrial. "Nos momentos de crise, quando o sistema financeiro privado restringe o crédito, o banco público amplia para que seja retomado o crescimento econômico, através do  financimento das políticas industriais, que por sua vez vão ampliar a oferta de empregos e aquecer a economia", destacou. 

Badesul

Robson Ferreira, diretor Financeiro do Badesul, descreveu a instituição como "uma agência de fomento muito próxima do agricultor e do pequeno empresário", elogiou a iniciativa do Legislativo estadual e falou sobre o planejamento estratégico do banco, atualizado em 2023. "Valorizamos muito a proximidade com o cliente, esse é um dos nossos diferenciais. Porque ouvindo os clientes, podemos melhorar os serviços", ressaltou. Ferreira destacou ainda a atuação do Badesul junto aos municípios: segundo ele, 87% possuem negócios com o banco. "E queremos ampliar ainda mais esse atendimento", disse.

Com 84% dos negócios feitos com o BNDES e 40% do crédito concedido para a área rural, o Badesul é uma agência de fomento saudável, segundo o diretor financeiro. "Em 2023, tivemos o maior lucro nominal da história do banco e a ideia é reverter isso em operações para a comunidade, porque o Badesul é do povo gaúcho", ressaltou. Conforme o balanço patrimonial da instituição divulgado no Diário Oficial do Estado no dia 14 de março, o Badesul alcançou lucro líquido de R$ 116,3 milhões em 2023, o que representa um crescimento de 135% em relação a 2022. Contando com patrimônio líquido de R$ 947,8 milhões, a agência de fomento injetou R$ 500,2 milhões na economia gaúcha no último exercício.

O Badesul possui ainda uma linha de crédido específica para a mulher empreendedora que, segundo Robson Ferreira, concede até R$ 200 mil, com juros baixos e carência de até 60 meses. O + Mulheres Empreendedoras beneficia empresas individuais de mulheres, pessoas jurídicas com mais de 50% do capital social feminino e empresas cuja administração seja efetivamente da mulher empreendedora. Em relação aos demais serviços de crédito oferecidos pelo Badesul, na linha + Mulheres Empreendedoras há uma redução de 10% no spread do Badesul. Vale lembrar que as solicitações para essa modalidade de financiamento estão sujeitas à análise de crédito. Mais informações: (54) 3021.0400.

BRDE

Conhecido como "banco verde", o BRDE, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS, tem quase 90% da carteira vinculada ao desenvolvimento econômico e social sustentável, segundo o gerente de Planejamento no RS, Alexandre Leitzke. Apesar da modesta estrutura física, composta por pequenos escritórios espalhados pelo estado em locais estratégicos, o BRDE está presente em 96% dos municípios de região Sul (RS, PR e SC), com 36 mil clientes ativos. "Nosso foco é o crédito de longo prazo, para ajudar empresários e setor público a realizarem os investimentos na formação bruta de capital fixo, ou seja, aquele tipo de investimento que gera desenvolvimento econômico, emprego e tributos", explicou. 

Hoje, o BRDE atende sete regiões do estado do RS, sendo a que mais têm carteiras de crédito ativas é a região do Planalto e Missões, com 31% do total. "Nossa economia é muito forte no agronegócio e isso reflete muito nas carteiras do banco", justifica o gerento do BRDE. Segundo ele, na região há importantes cooperativas produtoras de grãos que cresceram com o apoio do BRDE, do Banrisul e do Badesul. "São milhares de produtores rurais, associados e cooperados que fazem a economia do estado girar tanto no agro quanto na indústria", completou. Na região de Novo Hamburgo, informou Leitzke, 41% das carteiras de crédito do BRDE são no setor de inovação, que perpassam a indústria e os serviços, através de convênios com universidade locais.

Sobre as fontes de recursos, Alexandre Leitzke informou que o BRDE possui convênios nacionais e internacionais. No Brasil, o maior parceiro é o BNDES e fora do País mantém parceria com o Banco Mundial; com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF); com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD); com o Banco dos Brics; com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros. "Seguimos com a missão original do banco que é trazer recursos de fora para investir no estado. O BRDE hoje tem uma ativo de R$ 20 bilhões, dos quais entre R$ 16 e R$ 17 bilhões são relativos à carteira de crédito nos três estados. No Rio Grande do Sul, a carteira está em torno de R$ 6 bilhões, com prazo médio de 9 anos. Em relação à participação na economia é mais ou menos um terço para cada setor, mas quando se junta o agro com a agroindústria, o percentual sobe para quase 40%", pontuou.

Banrisul

Fernando Lemos, presidente do Banrisul, iniciou sua fala dizendo que vivemos hoje um grande momento de desruptura social, econômica e bancária, por isso é preciso ficar muito atento ao rumo que se vai tomar. "Quando se discute sobre indústria e economia, está se discutindo o que queremos como sociedade para o nosso estado", ressaltou. Segundo ele, o RS é um estado no qual é muito forte o setor agrícola vinculado com a indústria, uma vez que o estado detém quase 70% da indústria de máquinas no País, com tecnologia própria. "O setor de agronegócio no Brasil chegou a um patamar importante graças à tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul. Novo Hamburgo é conhecida como cidade produtora de calçados, mas também produz máquinas industriais para o desenvolvimento do setor calçadista", enfatizou.

Para Lemos, os bancos públicos têm a obrigação de serem indutores do desenvolvimento do estado. "Por isso é importante que a Assembleia Legislativa tenha a atenção voltada para o caminho dessas instituições, porque é no orçamento público que se define as diretrizes do estado que queremos e para onde vamos avançar. Não existe quem conheça mais a economia do nosso estado do que o Banrisul, o BRDE e o Badesul. E não há uma empresa gaúcha que algum dia não tenha sido orientada por um desses bancos. O nosso polo petroquímico foi planejado dentro do BRDE e se tornou um dos mais importantes do País. Portanto, essas instituições têm uma importância decisiva na economia do RS", ressaltou.

O presidente do Banrisul defendeu a indústria do biocombustível como estratégica para o futuro. "Temos produção de soja à vontade, precisamos insdustrializar isso e avançar", pontuou. Segundo ele, o estado possui oito grandes empresas nesse setor específico, no qual os bancos públicos devem investir. "O Banrisul está preparando um grande lançamento de crédito para os setores industrial e comercial no segundo trimestre, que visa colocar cada vez mais o banco na direção do crescimento do estado", anunciou.

Em relação aos números, Lemos revelou que o Banrisul possui atualmente uma carteira de crédito em torno de R$ 50 bilhões, sendo que R$ 12 bilhões estão no agronegócio e quase R$ 6 bilhões no financiamento habitacional, que impactam positivamente na indústria da construção civil. Consequentemente, observa o presidente do Banrisul, gera mais emprego na indústria moveleira, porque quem compra uma casa precisa mobiliar. Ele citou ainda a forte atuação do banco no financiamento do capital de giro para as empresas e no varejo, que representa a capilarização da economia. "Complementamos o que o BRDE e o Badesul fazem. Eles fomentam a criação da empresa e o Banrisul, como banco comercial e varejista, entra com o capital de giro", explicou.

Sobre o centenário do Banrisul, a ser comemorado em 2028, Lemos disse que já foi lançado o projeto "Banrisul, mais 100 anos". "Todos o empresários do RS conhecem o Banrisul. Os mais antigos conheceram a sede do banco na rua Caldas Júnior, os filhos conhecem, os netos e bisnetos vão conhecer também", finalizou.

Defesa das questões ambientais

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banrisul, Raquel Gil de Oliveira, abordou o desenvolvimento sustentável, que não pode estar desvinculado dos projetos de desenvolvimento para o estado. "Nesse debate, deveria estar algum representante do governo, para falar um pouco qual é o seu projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul. Digo isso porque a legislação ambiental acaba de ser modificada, permitindo a exploração de espaços de preservação ambiental permanente, inclusive protegidos pela legislação nacional. O governo precisa entender que, se realmente estamos pensando no desenvolvimento do nosso estado, incluindo as questões ambientais, isso não pode acontecer. O crescimento deve ser acompanhado de responsabilidade ambiental e social", discursou a sindicalista.

Ela defendeu que os bancos públicos atrelem o apoio financeiro à responsabilidade social e ecológica das empresas. Caso contrário, estarão fomentando de um lado e subtraindo do outro. "E nós vamos ficar permanentemente discutindo os problemas ambientais e os problemas sociais se nós não tivermos como base essa avaliação". completou.  

Capilaridade

Everson Gross, presidente do Sindicato dos Bancários de Novo Hamburgo e Região, ressaltou a importância do Banrisul no interior do estado, presente em pequenas cidades onde não há outros bancos. Lembrou também que BRDE e Badesul possuem linhas de crédito para os pequenos negócios e que isso é muito importante para a economia. "É preciso valorizar essas instituições, ainda mais no contexto atual, em que estamos saindo de um período de muita incerteza, muita negação, muito ataque à coisa pública, ao serviço público e aos servidores públicos, em que nada que era público prestava e tudo precisava estar na mão da iniciativa privada. Por isso, tenho orgulho de ver aqui o presidente do Banrisul defendendo o caráter público do banco", disse.

O sindicalista lembrou que "aquela história que contam pra gente que o Estado tem que ser que nem a dona de casa, que não pode gastar mais do que recebe, é uma grande grande mentira, pois os estados desenvolvidos, no mundo inteiro, investem e se individam para fomentar o crescimento econômico".

Trabalho conjunto

Luciano Fetzner, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e empregado do Banrisul, falou sobre as vitórias alcançadas nos sucessivos processos de negociação com os três bancos dos quais participou ao longo de sua caminhada como dirigente sindical. "Com o Badesul, por exemplo, construímos ao longo de 2023 acordos importantes que fomentaram desde a reestruturação dos processos de trabalho interno do banco, passando pela reabertura da possibilidade de ingresso de novos trabalhadores e trabalhadoras, para oxigenar e renovar a empresa. Também conseguimos atacar e resolver problemas trabalhistas passivos da instituição. Com Banrisul e BRDE estamos em uma fase das negociações muito próxima de um desfecho, que viabilize o  saneamento dessas instituições e reduza significativamente os passivos", informou.

Para Fetzner é preciso aliar força de trabalho, investimento e o pensar o Rio Grande do Sul pro futuro. "Nós, trabalhadores e trabalhadoras, temos a convicção de que essas empresas precisam ser fortes e que precisamos estar lado a lado com as gestões, trabalhando e construindo o nosso estado para que ele possa crescer, gerar mais empregos e mais qualidade de vida", completou.

Patrocínio para o hip-hop

O movimento hip-hop do Rio Grande do Sul também esteve presente no evento, representado pelo B-boy Billy Anderson, da Federação Gaúcha de Breaking e ativista da luta das pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Ele propôs para o Banrisul, como política de inclusão social, uma pensão vitalícia para as pessoas autistas de baixa renda, com o objetivo de resgatar a dignidade dessas pessoas, que têm dificuldade para pagar as contas e acabam se individando. "Eu, por exemplo, tenho que trabalhar de maneira informal para ajudar minha mãe. Eu não tenho uma renda para me manter. Muitas vezes, quando eu preciso viajar para um campeonato de breaking, minha mãe me dá todo o suporte que eu preciso, mas sei que é sacrificante pra ela. E eu preciso disso, porque o breaking e o hip-hop são instrumentos libertadores para mim", justificou.

Ele pediu ainda que Banrisul, BRDE e Badesul estudem possibilidades de investir no breaking e nas demais atividades que compõem a cultura hip-hop, que vem sendo considerada uma prática pedagógica, na medida em que mantém muitos jovens da periferia longe da criminalidade. Segundo Billy, o Rio Grande do Sul vem se destacando no cenário nacional através do breaking, prática que ganhou status de esporte olímpíco e estará presente nas Olimpíadas de Paris 2024. "Alguém do breaking podia ganhar uma Medalha do Mérito Farroupilha. Acho que está na hora da justiça ser feita porque a gente lutou tanto para estar nas olimpíadas. Merecemos ser valorizados e patrocinados", completou.

Setor calçadista 

O vereador de Novo Hamburgo, Enio Brizola (PT), lembrou que a cadeia produtiva do calçado da região, que representa 8% dos calçados produzidos no estado do RS, é demandadora de muita mãe de obra. Segundo ele, a 47ª Fimec (Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes), que aconteceu entre 12 e 14 de março, mostrou que, apesar da perda nas exportações em 23% no ano de 2023, o setor calçadista tem muita vitalidade e viabilidade econômica para continuar produzindo calçados. "Trata-se de uma forte agregação de design e tecnologia. A indústria 4.0 já se faz presente aqui. Temos o IFSul, que forma mão de obra para área da mecatrônica e a 
a inteligência do calçado, pois exportamos a tecnologia e a inovação da produção. Só falta uma agência própria de fomento", sugeriu. 

Tradição na indústria cultural

Ao observar que grande parte do público era formada por sindicalistas, Carlos Mosmann, ex-secretário de Cultura de Novo Hamburgo, ressaltou que quem mais pensa o futuro econômico real são as lideranças sindicais. "Isso pode parecer um paradoxo, mas não é. Anos atrás, houve uma forte luta, liderada por entidades sindicais, para trazer uma universidade federal para nossa região". E ao fazer uma correlação da atividade  cultural com a indústria calçadista no estado, Mosmann informou que o número de empregos gerados pela primeira é o mesmo gerado pela segunda. "Quando se fala em estimular o setor calçadista, se fala em milhões, mas não se fala em estimular a indústria cultural. Quem conhece bem a história de Novo Hamburgo, sabe da forte tradição cultural da cidade em música, artes plásticas e teatro. Temos aqui uma fábrica de  órgãos e já tivemos de violinos", contou.  

O advogado e escritor Henrique Schneider, confirmou as informações de Mosmann sobre o setor cultural e revelou como fonte as secretarias de Cultura e de Planejamento. "Antes da pandemia, a indústria criativa do RS empregava 130 mil pessoas com carteira assinada e mais 48 mil MEIs. Neste mesmo momento, a indústria calçadista, que é o orgulho da nossa região, empregava 115 mil pessoas", disse. Ele observou ainda que a indústria criativa é horizontal, na medida em que é formada por pequenas empresas com poucos funcionários. "Ela capilariza o dinheiro. Então
é necessário que os bancos públicos incentivem de uma maneira muito mais efetiva a indústria criativa", enfatizou. 

Cultura Negra e Educação

Vanessa Stibel, do grupo Conexão Aya, sugeriu que os bancos públicos invistam em um projeto de criação de casas de formação e capacitação, voltado para mulheres negras empreendedoras e para o ensino da cultura afro-brasileira às crianças negras de Novo Hamburgo e região. O objetivo, segundo ela, é promover a inclusão, a valorização da identidade e o fortalecimento econômico e cultural desses grupos. "Acreditamos que essa iniciativa está alinhada aos valores e compromissos dos bancos públicos aqui presentes, no que diz respeito ao desenvolvimento comunitário, à diversidade e à inclusão social. O investimento nesse projeto não apenas trará benefícios diretos para as participantes, mas também impactará positivamente toda a região fomentando o empreendedorismo, a educação cultural e a igualdade de oportunidades"

Rodrigo Dias, professor de História do IFSul, trouxe uma reflexão sobre a importância dos institutos federais no processo de industrialização em debate. "Nesse importante debate temos bancos públicos que financiam o desenvolvimento industrial e uma instituição pública que forma trabalhadores, que são os grandes responsáveis pela produção de toda a riqueza existente no mundo e no Brasil", observou. E para explicar a importância dos IFs em números, ele disse que antes dessa política de criação dos institutos federais, haviam no Brasil pouco mais de 120 escolas técnicas. "Após o movimento, esse número passou para 600, agora ganhamos mais 100 e existe a perspectiva se chegar a 1 mil institutos federais. São instituições públicas, 100%  gratuitas, direcionadas a jovens da periferia, jovens negros, meninas, que não teriam acesso a uma educação de qualidade se não fossem os IFs", pontuou.  

Seminário Estadual

Ao final, o deputado Miguel Rossetto informou que todas as manifestações farão parte de um relatório que será entregue em setembro às instituições, durante um seminário estadual, com a presença da ex-presidenta Dilma. "A Raquel, da Fetrafi-RS, nos trouxe uma importante contribuição no sentido de ampliar os rigores dos financiamentos a partir da conservação e da preservação ambiental", exemplificou. Antes disso, estão previstos outros encontros regionais. 

A campanha "O Banrisul que Queremos", que tem o apoio da Fetrafi-RS, visa conscientizar a sociedade de que Banrisul é um patrimônio do povo gaúcho e não pode ser privatizado. Além disso, o movimento quer colocar o povo como protagonista na tomada de decisões em relação ao futuro do bancos públicos do estado. 

Próximos encontros

Pelotas: 08/04 (confirmada)
Caxias do Sul: 29/04
Passo Fundo: 17/05
Bagé: 27/05
Santa Rosa: 14/06
Santa Maria: 24/06
Plenária final Porto Alegre: 09/09

Obs: Agenda sujeita a alterações

 

Texto: Maricélia Pinheiro/Verdeperto Comunicação

Fotos: Araldo Neto/Verdeperto Comunicação

 

  

  

  

  

  

  

 

 

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